O tiro no pé da Globo com a GER4Ç4O BR4SIL
Tenho escrito aqui sobre essa mistura de dramaturgia, marketing e
jornalismo que caracteriza os grupos de mídia. Utilizam-se recursos da
propaganda, da dramaturgia e do jornalismo para uma geleia geral que
compromete todas as pontas.
Quando a Globo lançou a novela sobre tráfico de crianças, o
jornalismo foi acionado para uma série de matérias sensacionalistas
sobre adoção.
Quando as eleições entram em jogo, o grupo age sincronizando todas
as pontas, criando vilões que lembram os adversários, mocinhos que
emulam os aliados.
À medida em que as informações e as discussões sobre mídia avançam
pelas redes sociais, e que o conceito e o papel dos grupos de mídia
viram foco de discussão, o uso reiterado dessas jogadas apenas ajuda a
reforçar os argumentos dos críticos da mídia.
É como se houvesse um laboratório online, no qual práticas seculares anacrônicas pudessem ser dissecadas ao vivo e em cores.
Em tempos de concentração maior de mídia, falava-se muito na propaganda subliminar, os
merchandisings, utilizados para jogadas comerciais.
Quando entra-se no campo eleitoral, o jogo é dúbio.
Tome-se essa besteira da Globo, de associar o nome da novela ao número 45 do PSDB
O custo é alto. Uma emissora aberta, com o alcance da Globo, não
pode se colocar contra mais da metade do eleitorado brasileiro, ainda
mais em um momento em que ocorre uma implosão geral da audiência, fruto
do avanço das tvs fechadas e da Internet. É um risco de imagem que
gerações anteriores, mais sábias, não ousaram correr, mesmo quando a
força do grupo era proporcionalmente muito maior.
Quando o espírito das diretas tomou conta do Brasil, a maior
preocupação de Evandro Carlos de Andrade e Roberto Marinho era tirar o
estigma da emissora, de ser contra a democratização
Depois que o estilo Murdock surgiu, deixou-se de lado toda a prudência e decidiu-se tomar partido de uma forma escancarada.
A ideia de associar o número de PSDB - 45 - à nova novela não
representará nenhum reforço substancial à candidatura tucana. Mas, sem
dúvida, será mais um argumento fortíssimo em favor dos que entendem a
mídia como um partido político.
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